Lucro (na obra)
Dentro de um preço unitário, o lucro é o último grande componente acrescentado depois do custo direto, dos custos indiretos e do custo financeiro. Não representa uma despesa real da obra, e sim o ganho que o construtor espera obter por realizá-la: a remuneração do capital investido, do risco assumido e da responsabilidade de entregar o trabalho. Por isso não se justifica com comprovantes como os demais encargos, mas é definido como uma decisão de negócio.
O lucro é expresso como um percentual e aplicado sobre a soma do custo direto mais os indiretos e o custo financeiro. É importante não confundi-lo com os custos indiretos: os indiretos são despesas reais de administração e operação da obra (engenheiro residente, escritório de campo, seguros), enquanto o lucro é a margem de ganho. Ambos são lançados como percentual sobre o custo, mas um recupera despesas e o outro gera o ganho da empresa.
Na obra pública, o lucro faz parte obrigatória da composição do preço unitário, junto com os indiretos, o custo financeiro e os tributos. No Brasil, o lucro (o “B” de Benefícios) é um dos componentes do BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) que se soma ao custo direto. Nas licitações o percentual costuma situar-se entre 8% e 15%; na obra privada a empresa o define livremente conforme o mercado, a concorrência e o risco do projeto.
O percentual de lucro não é único: depende da concorrência, do tipo de obra, do prazo e do risco. Uma obra muito disputada ou de baixo risco pode levar um lucro menor para vencer a licitação; uma obra especializada, urgente ou de alta incerteza justifica uma margem maior. Além disso, o construtor deve considerar que os tributos sobre o lucro (como o imposto de renda) incidem sobre o ganho real, de modo que a margem bruta do preço não equivale ao lucro líquido.
Fórmula
Exemplo
Um serviço tem custo direto de 1.000, indiretos de 15% (150) e custo financeiro de 2% sobre o custo com indiretos (23), o que dá um custo base de 1.173. Com um lucro de 10%, acrescentam-se 117,30, e o preço unitário resulta em 1.290,30 por unidade.
| Item | Unidade | Quantidade | P.U. | Valor |
|---|---|---|---|---|
| Materiais | ||||
| Tijolo cerâmico vermelho | pza | 42.00 | $6.80 | $285.60 |
| Argamassa cim-areia 1:4 | m³ | 0.030 | $2,150 | $64.50 |
| Mão de obra | ||||
| Pedreiro | jor | 0.180 | $520 | $93.60 |
| Servente | jor | 0.180 | $380 | $68.40 |
| Equipamento | ||||
| Ferramenta menor 3% | % | — | — | $4.86 |
Perguntas frequentes
Como se calcula o lucro em um preço unitário?
Aplica-se um percentual de lucro sobre a soma do custo direto mais os indiretos e o custo financeiro. Por exemplo, com um custo base (direto + indiretos + custo financeiro) de 1.173 e um lucro de 10%, o ganho é 117,30 e o preço unitário fica em 1.290,30.
Qual é a diferença entre lucro e custos indiretos?
Os custos indiretos são despesas reais de administração e operação da obra (engenheiro residente, escritório de campo, seguros) que são recuperadas; o lucro é a margem de ganho do construtor, que remunera o risco e o investimento. Ambos são lançados como percentual sobre o custo, mas um cobre despesas e o outro gera o ganho.
Qual percentual de lucro se usa em obra?
Não há um percentual fixo: o construtor o propõe conforme a concorrência, o tipo de obra e o risco. Na obra pública costuma situar-se entre 8% e 15%, enquanto na obra privada a empresa o define livremente. Vale lembrar que sobre o lucro incidem tributos como o imposto de renda, de modo que o ganho líquido é menor que a margem bruta.