Estimativa de custos
Estimar custos é responder, em cada etapa do projeto, à pergunta "quanto vai custar esta obra?" com a melhor informação disponível naquele momento. No início, quando existe apenas a ideia ou um anteprojeto, estima-se por analogia ou por indicadores (custo por m² de construção, custo por leito hospitalar, por km de rodovia). Conforme o projeto é detalhado, quantificam-se os volumes reais e valoram-se com preços unitários, até chegar ao orçamento de obra detalhado.
A chave de uma estimativa de custos é seu nível de precisão, que depende do grau de definição do projeto (engenharia e escopo). Uma classificação de referência muito usada é a da AACE International (Association for the Advancement of Cost Engineering), que define cinco classes: Classe 5 (ordem de grandeza, ±30% a ±50%, com o projeto ainda conceitual), Classe 4 e Classe 3 (intermediárias, estimativa de estudo e orçamento preliminar), Classe 2 (controle, com engenharia avançada) e Classe 1 (definitiva, ±5% a ±15%, com o projeto executivo concluído). Quanto maior a definição, menor a faixa de erro e menor a contingência necessária.
A estimativa de custos serve para decidir se um projeto é viável, para fixar o orçamento base e o teto financeiro, para comparar alternativas de projeto e para preparar uma proposta em uma licitação. É a atividade prévia que alimenta o orçamento de obra e a planilha orçamentária; em obra pública, o órgão contratante elabora seu orçamento base (estimativa de referência) para avaliar as propostas dos concorrentes.
Convém não confundir a estimativa de custos com a medição de obra. A estimativa de custos é uma previsão do gasto futuro (planejamento, antes ou durante o projeto). A medição de obra, por sua vez, é um documento de cobrança periódica: valora o trabalho já executado em um período para que o contratado o fature. Uma prevê quanto vai custar; a outra cobra o que já foi feito.
Exemplo
Para um edifício de escritórios de 2.000 m², uma estimativa de ordem de grandeza (Classe 5) usa um indicador de $18.000/m²: 2.000 × 18.000 = $36.000.000 com uma faixa de ±40% (entre $21,6 e $50,4 milhões). Ao concluir o projeto executivo, a estimativa definitiva (Classe 1) —baseada em levantamento real de quantitativos e preços unitários— resulta em $34.800.000 com uma faixa de ±10%.
| Item | Unidade | Quantidade | P.U. | Valor |
|---|---|---|---|---|
| Materiais | ||||
| Tijolo cerâmico vermelho | pza | 42.00 | $6.80 | $285.60 |
| Argamassa cim-areia 1:4 | m³ | 0.030 | $2,150 | $64.50 |
| Mão de obra | ||||
| Pedreiro | jor | 0.180 | $520 | $93.60 |
| Servente | jor | 0.180 | $380 | $68.40 |
| Equipamento | ||||
| Ferramenta menor 3% | % | — | — | $4.86 |
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre estimativa de custos e medição de obra?
A estimativa de custos prevê quanto uma obra vai custar antes ou durante o projeto (planejamento); a medição de obra é o documento com o qual o contratado cobra periodicamente o trabalho já executado. Uma calcula um custo futuro; a outra valora e cobra o avanço real.
Quais são os níveis de precisão de uma estimativa de custos?
Vão do menor ao maior grau de definição do projeto. A classificação AACE define cinco classes: Classe 5 (ordem de grandeza, ±30% a ±50%), Classes 4 e 3 (intermediárias, de estudo e preliminar), Classe 2 (de controle) e Classe 1 (definitiva, ±5% a ±15%). Quanto mais avançada a engenharia, mais estreita a faixa de erro.
Como se estima o custo de uma obra na etapa conceitual?
Quando ainda não há projeto detalhado, estima-se por indicadores ou analogias: custo por metro quadrado de construção, por unidade produzida (leito hospitalar, sala de aula, km de rodovia) ou por projetos semelhantes já executados, ajustando por localização, qualidade e data. É uma estimativa de ordem de grandeza, com uma margem ampla.