O que você precisa antes de começar
Uma medição não se monta de memória: constrói-se sobre documentos que já devem existir. Antes de sentar para calcular, reúna o seguinte para que as quantidades e os preços sejam inquestionáveis.
- A planilha contratual, com suas unidades e preços unitários pactuados.
- O período a medir (a quinzena ou o mês que você está cobrando) e o corte de avanço físico daquela data.
- As memórias de cálculo do período: medições em campo do que foi realmente executado por item.
- As condições do contrato: percentual de adiantamento recebido e percentual de retenção pactuado.
- As medições anteriores, para não cobrar de novo um avanço já medido (cobra-se o acumulado menos o que já foi medido antes).
Passo a passo para fazer a medição
O procedimento tem uma ordem fixa. Cada passo se apoia no anterior, então pular um (sobretudo a memória de cálculo) é o que provoca rejeições da fiscalização.
- 1Meça o avanço de cada item (memória de cálculo)
Em campo, meça quanto foi executado de cada item durante o período: metros quadrados de parede, metros cúbicos de concreto, quilos de aço. Deixe o cálculo por escrito com eixos, níveis e croquis: essa é a memória de cálculo e é o suporte da cobrança.
- 2Determine a quantidade a cobrar no período
Se você mantém controle por acumulado, subtraia o que já foi medido: quantidade do período = avanço acumulado até a data − avanço medido em períodos anteriores. Assim você nunca cobra duas vezes o mesmo serviço.
- 3Valore (obtenha o valor bruto)
Multiplique a quantidade de cada item pelo seu preço unitário de contrato e some todos os itens. Essa soma é o valor bruto da medição, o avanço do período expresso em dinheiro.
- 4Amortize o adiantamento
Aplique ao bruto o mesmo percentual que você recebeu de adiantamento. Se o adiantamento foi de 30%, amortiza-se 30% do bruto nesta medição, recuperando aos poucos o que lhe foi adiantado.
- 5Aplique a retenção
Desconte o percentual de retenção pactuado (com frequência 5%) sobre o bruto. Esse valor não se perde: acumula-se como garantia e é liberado na quitação final ou substituído por seguro-garantia.
- 6Ajuste e chegue ao valor líquido a pagar
Some ou subtraia o que couber (reajuste, multas contratuais, glosas) e obtenha o valor líquido a pagar. Sobre esse líquido emite-se a nota e calculam-se os impostos correspondentes.
Exemplo numérico completo
Vamos tomar uma medição quinzenal com três itens. O contrato foi pactuado com 30% de adiantamento e 5% de retenção. Primeiro valoramos o avanço do período item por item:
Item A — parede de alvenaria: 120 m² executados × R$ 450/m² = R$ 54.000. Item B — contrapiso de concreto: 40 m³ × R$ 2.800/m³ = R$ 112.000. Item C — aço de reforço: 1.500 kg × R$ 32/kg = R$ 48.000. Valor bruto = R$ 54.000 + R$ 112.000 + R$ 48.000 = R$ 214.000.
Amortização do adiantamento: 30% × R$ 214.000 = R$ 64.200. Retenção: 5% × R$ 214.000 = R$ 10.700.
Valor líquido a pagar = R$ 214.000 − R$ 64.200 − R$ 10.700 = R$ 139.100. De um avanço valorado em R$ 214.000, nesta medição cobram-se R$ 139.100: R$ 64.200 são descontados porque já foram adiantados, e R$ 10.700 ficam retidos como garantia. Sobre esse líquido emite-se a nota e calculam-se os impostos aplicáveis.
Erros que fazem a medição ser rejeitada
Estes são os tropeços que mais atrasam o recebimento ou provocam devoluções da fiscalização:
- Cobrar avanço sem memória de cálculo que o respalde, ou com memórias que não batem com o projeto.
- Medir quantidades maiores do que as realmente executadas (superestimar o avanço).
- Não subtrair o que já foi medido e cobrar de novo serviços de períodos anteriores.
- Usar preços diferentes dos do contrato ou incluir itens fora da planilha sem autorização.
- Esquecer a amortização do adiantamento ou aplicá-la com um percentual equivocado.
- Não registrar a medição no diário de obra nem no diário de obra eletrônico quando é obra pública.
Como acelerar o processo com o Matterial
Montar a medição na mão —cruzar memórias de cálculo com a planilha, valorar, controlar o acumulado e aplicar amortização e retenção— é lento e propenso a erros de digitação. A chave é ter o avanço por item e os preços do contrato em um só lugar, de modo que o bruto, a amortização, a retenção e o líquido se calculem sozinhos e não dependam de uma planilha frágil.
Com esse controle, cada corte de período produz uma medição que bate com o contrato e é rastreável até a memória de cálculo, que é justamente o que evita rejeições e atrasos no pagamento.